Lubnor: controlador da Grepar “desiste” do negócio e diz que vai investir dinheiro fora do Brasil

Lubnor. Foto: Divulgação

O empresário Clóvis Fernando Greca, controlador do grupo cearense Grepar, afirmou que irá na Justiça cobrar indenização após a Petrobras rescindir acordo de venda da Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor).

A estatal alegou que as condições para transferência da unidade de refino não foram concluídas até o dia 25 de novembro.

Greca culpa o Governo Lula por não cumprir o acordo. “Não interessa se a coisa é boa ou não. Se a coisa está correta ou não. O viés ideológico é diferente. (O governo atual) é contra qualquer venda de qualquer ativo. Estamos num momento de Estado muito mais atuante na economia. Tudo contra esse sentido o governo não quer fazer. Por isso, a Petrobras desistiu de um contrato que não permitia a ela este poder”, disse o empresário em entrevista ao Estadão.

O controlador ressaltou que a Petrobras criou desculpas, “fingindo que estava avançando”.

Ele também cita a questão envolvendo a doação do terreno à Grepar. Segundo ele, o objetivo era receber a refinaria com o terreno regularizado. Chegou a dizer que assumiria a responsabilidade caso não desse tempo de completar o processo.

“Da parte da Grepar, cumprimos todas as condições que deveríamos completar. Restaram as condições que a Petrobras tinha de cumprir. Entre elas, estava a regulação fundiária da refinaria. Parte do terreno pertence ao município de Fortaleza. A Petrobras está lá instalada por que o município fez uma cessão gratuita para ela. Outra parte do terreno pertence à União, também com cessão gratuita. Então, ela tinha de transformar essas duas cessões gratuitas em onerosas. É um processo mais do que normal”, comentou.

Greca falou que a Grepar “desistiu” da compra. “Se não querem vender, eu também não quero comprar mais. Não tem problema. Vamos tomar as medidas jurídicas cabíveis. Se a Petrobras quiser voltar atrás, eu estou apto. Mas aí seria do desejo dela que eu assuma a refinaria, o que eu acho muito improvável”, completou.

Aumento da planta

Estava previsto o aumento da planta e mais de U$ 100 milhões em investimentos. “Eu estava focado nisso, eu tinha gente voltada para isso, e o meu recurso estava disponível para o projeto. Havia outros projetos em voga. Mas, a partir do momento que assinei uma carta com um contrato vinculante, e cumpri a minha parte, deixei de investir em inúmeros outros projetos”, revelou.

“Vou pender para não investir mais no Brasil. Vou pegar o meu recurso e tirar do Brasil. Vou investir em outros lugares, que queiram ter empresariado com investimentos sérios, de gente que quer construir algo”, finalizou o empresário.

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