Quem sai ganhando com a pesquisa encomendada pelo PDT?

Como prometido, o PDT registrou no TSE a pesquisa que servirá como um dos instrumentos para basear o processo de escolha do candidato do partido ao Governo do Ceará. O questionário faz perguntas importantes, mas, obviamente, pela natureza da consulta, não dará conta de responder às muitas variáveis políticas que estão em jogo.

Numa leitura lógica e linear do fato, da maneira como o questionário foi construído, a pesquisa serve à pré-candidatura do ex-prfeito Roberto Cláudio. O motivo é simples: os resultados naturalmente vão mostrar RC mais bem posicionado do que seus correligionários em quesitos chave.

A pesquisa, que já está em campo para ouvir 1.500 eleitores, vai medir os índices de conhecimento/desconhecimento dos pé-candidatos (incluindo os quatro do PDT), vai medir o desempenho de cada um dos quatro pedetistas (Cid Gomes não é listado) numa disputa direta com o deputado federal Capitão Wagner e vai medir os índices de rejeição dos concorrentes.

Enfim, nada que o mercado político já não conheça muito bem a partir da leitura de diversas outras pesquisas já divulgadas. Nelas, RC aparece sempre numericamente melhor poscionado nos dois primeiros itens citados acima.

O fato de o PDT ter levado adiante esse modelo de pesquisa quantitativa explica a reação da governadora Izolda Cela largamente divulgada na manhã desta quinta-feira, 30. Afinal, os resultados que virão, se considerados isoladamente e sem levar em conta as mais diversas variáveis políticas, como o apoio formal de um presidenciável, certamente servem para justificar a possível escolha de RC.

A encomenda da pesquisa foi feita ao instituto Quaest, uma empresa de referência na área, e custou R$ 154,5 mil ao PDT. O questionário que lista os quato pedetistas e os outros potenciaias candidatos de outras siglas pergunta se o eleitor “conhece muito”, “conhece, mas pouco”, “não diria que conhece, apenas ouviu falar”, “não conhece” e “não quis responder”.

O índice de conhecimento é sim uma informação importante. No entanto, dificilmente os veteranos de disputas eleitorais Wagner e RC deixarão de liderar positivamente nesse item.

Na sequência do questionário, outro ponto importante: a medida da rejeição de cada um. Esse ponto tende a ser mais favorável à Izolda, Mauro e Evandro. Afinal por serem menos conhecidos são menos rejeitados. É a lógica.

A pesquisa também vai medir a popularidade das gestões de Camilo Santana, já findada há três meses, e a popularidade da gestão de Izolda Cela, iniciada há apenas três meses. Para que serve esse dado como elemento para ajudar na escolha do candidato pedetista no Ceará? A esperar.

Outro item instigante do questionário é a parte que medirá o desempenho dos presidenciáveis no Ceará. Estão lá as perguntas que vão dizer o índice de intenção de voto de Ciro Gomes, Lula, Bolsonaro e Simone, além dos candidatos menos vistosos.

Nesse ponto, fica a questão: se a pesquisa que o PDT promete tornar pública (afinal, foi registrada no TSE) apontar um desempenho sofrível de Ciro Gomes no Estado (um terceiro lugar na faixa dos 15%, por exemplo) o dado apenas enfraquecerá o pedetista e deixará seus adversários com pescoço mais largo. Ao contrário, se Ciro se sair bem, mais forte será seu poder de decisão aqui.

Outras perguntas vão medir o desempenho de Ciro Gomes em disputas individuais contra Lula e contra Bolsonaro no Ceará. Por fim, o questionário vai medir como o eleitor cearense vê a gestão de Bolsonaro (ótimo, bom, regular mais para positivo, regular mais para negativo, ruim, péssimo).

O material registrado pelo Quaest no TSE não discrimina as cidades e regiões de moradia dos eleitores que serão pesquisados. A pesquisa tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

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