Prêmio Lucília Lessa incentiva a pesquisa no Ceará

Entrega do Prêmio Lucilia Lessa. Foto: Divulgação

Na recente comemoração pelos 20 anos do Instituto Superior de Ciências Biomédicas (ISCB) pertencente à Universidade Estadual do Ceará (Uece), foi realizada a primeira edição do Prêmio Lucília Lessa, destinado às melhores teses de doutorado e dissertações de mestrado. A professora Dra. Lucília Maria Abreu Lessa Leite Lima faleceu prematuramente em maio de 2023. A docente coordenava a disciplina de Ciências Fisiológicas do Curso de Medicina e foi coordenadora do Programa de Pós Graduação em Ciências Fisiológicas. A premiação ocorreu durante o V Simpósio em Fisiologia, realizado pelo ISCB e pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Fisiológicas (PPGCF), trazendo para Fortaleza nomes renomados no campo da pesquisa científica nas áreas de fisiologia respiratória, cardiovascular, renal, neurofisiologia e eletrofisiologia.

“Finalizamos com muito sucesso esse evento com o Prêmio Lucília Lessa, uma homenagem justa e que se pereniza para incentivar jovens talentos a seguirem o caminho dessa cientista, professora, inspiradora, que marcou a ciência no Brasil com atuação na Universidade Estadual do Ceará e na Universidade de São Paulo (USP), brilhando ainda na Ivy League, que congrega uma das melhores universidades dos Estados Unidos, Yale. Brilhou, foi aluna exemplar, padrão nesses locais de excelência no mundo, tendo ganhado prêmio no Brasil e no exterior. Nada mais justo que homenagear a doutora Lucília Lessa, emprestando seu nome a esse prêmio, que incentiva jovens talentos a seguir essa carreira de cientista, carreira que o Brasil possui a maior carência”, destaca o professor NIlberto Robson, diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da Uece, coordenador do laboratório de farmacologia renal e do V Simpósio de Ciências Biológicas da Uece e da Comissão Organizadora dos 20 anos do Instituto de Ciências Biomédicas da Uece.

Nilberto ressalta ainda a ética, disciplina e o rigor científico da professora Lucília Lessa como verdadeiro padrão e modelo para os alunos seguirem. “Desde a iniciação científica até o mestrado e doutorado, seja no local de origem ou no exterior, foi isso que a professora Lucília fez, mostrou que é possível, no Ceará, fazer um ensino e uma pesquisa de qualidade e que hoje está no mundo e pode ser acessada em bases de dados. Lucília ficará imortalizada. Seu legado está eternizado por meio dos seus alunos que estão hoje fazendo uma carreira científica inspirados nela”, aponta.

Dissertações de Mestrado Premiadas 

1º Bianca Feitosa Holanda;
Título: “O Extrato Polissacarídico de Caesalpinia Ferrea Atenua a Inflamação e a Nocicepção Induzida por Zimosan em Camundongos: Migração de Neutrófilos e Estresse Oxidativo.”
Orientadora: Professora Dra. Ana Maria Sampaio Assereuy.

2º Maria Lídia Barroso Rodrigues
Título: Efeitos Cardiovasculares da Vitafisalina F
Orientador: Professor Dr. Nilberto Robson Falcão do Nascimento.

3º Saulo Chaves Magalhães
Título: “Efeito de Doses Suprafisiológicas do Hormônio Esteróide Androgênico Decanoato de Nandrolona na Homeostase Redox e na Sinalização Inflamatória do Tecido Adiposo Branco de Ratos Wistar.”
Orientador: Professor Dr. Ariclécio Cunha de Oliveira.

Teses de Doutorado Premiadas 

1º: Fladimir de Lima Gondim
Título: “Efeitos do Ácido Centipédico no Sistema Respiratório de Camundongos Submetidos à Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo”.
Orientador: Professor Dr. Francisco Sales Ávila Cavalcante.

2º Renan Góis Mateus
Título: “Estudo dos Mecanismos Associados às Alterações no Permutador Nhe3 Em Túbulos Proximais Renais no Curso da Nefropatia Diabética Experimental.”
Orientadora: Professora Dra. Lucília Maria Abreu Lessa.

3º Paula Alexandre De Freitas
Título: “Efeitos do Extrato de Jamelão Sobre as Alterações da Homeostase Redox, Estado Inflamatório e Função Mitocondrial Induzidas pela Exposição ao Bisfenol A no Tecido Adiposo e Hepático em Ratos.”
Orientador: Professor Dr. Ariclécio Cunha de Oliveira.

O evento também contou com a presença de Gilberto De Nucci, membro titular da Academia Nacional de Medicina e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). “Tenho alunos cearenses no doutorado comigo em Campinas, São Paulo, e são pesquisas importantes e de destaque. A estrutura da Uece tem colaborado muito com a pesquisa de novos medicamentos e vejo isso com muito bons olhos. Em São Paulo temos boa infraestrutura, pois lá é respeitada a lei que prevê um percentual do ICMS para a fundação de pesquisa. A dificuldade de outros estados é que os governos não respeitam essa verba, o que é fundamental para as demais fundações dos estados. É um direito. A Constituição Federal prevê esse repasse. É preciso maior mobilização, cobrança com os deputados para que a Constituição seja cumprida”, destaca o pesquisador.

Pesquisadores homenageados

Durante o Prêmio Lucilia Lessa, outros pesquisadores tiveram menção honrosa, como os pioneiros que foram ao evento após aposentadoria do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFC, Dr. Manassés Claudino Fonteles, ex-reitor da UECE e idealizador e fundador do Instituto de Ciências Biomédicas da UECE; e o Dr. José Henrique Leal Cardoso, primeiro Diretor do Instituto de Ciências Biomédicas; além de Andrelina Noronha Coelho de Souza, ex-coordenadora do Programa de Pós Graduação em Fisiologia e atual vice-diretora do Instituto; e os professores Aline Alice Cavalcante Albuquerque, professora de Fisiologia; Aline Alice Cavalcante Albuquerque, professora de Fisiologia; e Krishnamurti Morais de Carvalho, professor de Farmacologia-UFC.

“Foi ressaltado o empenho desses pesquisadores na formação de mestres e doutores, na captação de recursos para realizar pesquisas, aquisição de equipamentos e contrição de laboratório de pesquisa bem equipados, bem como a contribuição deles na produção de conhecimento científico”, destaca o professor Ariclécio Cunha de Oliveira, atual coordenador da Pós Graduação em Ciências Fisiológicas.

Como Professores Destaque, pilares do Instituto pelo trabalho incansável diário para a consecução de projetos e pelo exemplo de empenho, competência, dedicação e produtividade, foram homenageados a professora Ana Maria Sampaio Assreuy, a professora Emérita, ex-coordenadora do Curso de Pós Graduação em Fisiologia, o professor Ariclécio Cunha de Oliveira, e a professora Vânia Marilande Ceccatto, ex-vice Diretora do Instituto. “Esse estado tem um Instituto de Ciências Biomédicas dentro da sua universidade estadual, com potencial de se tornar um dos maiores celeiros de pesquisa do país. Creio que a Ciência Biológica e Biomédica é uma fonte de valor imensa para o estado do Ceará, em função da valorização que faz dos produtos naturais de sua fauna e flora”, ressalta a professora Vânia.

Para o diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da Uece, Nilberto Robson, “são exemplos de pessoas que trabalharam duro nos últimos 20 anos e mostraram que com trabalho, dedicação e disciplina, é possível realizar e conquistar avanços importantes mesmo na adversidade. Eles deixam para os jovens cientistas do amanhã como legado um Programa e um Instituto muito melhores e exemplo de como fazer mesmo na adversidade”, considera.

Sobre a Professora Lucília Lessa

Lucília ou “Cilinha”, como era carinhosamente chamada pelos seus colegas professores do laboratório, era uma pessoa extremamente competente, inteligente, habilidosa e persistente. Era perfeccionista e repetia experimentos à exaustão para ter certeza dos dados. Segundo ela, o professor Antônio Carlos Cassola, seu professor na USP, a ensinou que o verdadeiro cientista não deve trabalhar para provar que suas hipóteses estão corretas, mas tentar de todas maneiras, usando todo rigor científico, provar que sua hipótese está errada. Se falhar nesse intuito, pode ser que sua hipótese tenha algum valor. “Lucília sempre foi muito dedicada ao ensino, aos seus alunos e à pesquisa. Sempre com muita competência e respeito”, destaca a coordenadora do V Simpósio em Fisiologia, Cláudia Ferreira dos Santos.

A professora Lucília produziu estudos com ênfase em Fisiologia Renal, principalmente sobre os efeitos renais de hormônios que regulam a homeostase de sal, água e do equilíbrio ácido-base e que modulam as secreções renais de potássio e hidrogênio. Além disso, desenvolveu experimentos em microperfusão renal in vivo para estudo do transporte iônico em túbulos renais.

Lucília Lessa atuou durante 10 anos intensos no Magistério Superior na UECE na disciplina de Fisiologia do Curso de Medicina. “Seus alunos adoravam suas aulas e ela amava seu exercício acadêmico de lecionar, tendo sido professora homenageada por todas as turmas da Medicina UECE ao longo dos anos em que foi professora de Fisiologia. Apesar de toda sua competência, inteligência e preparo acadêmico, a professora Lucília era sempre doce, humilde e disposta a conversar e dividir conhecimentos com todos seus alunos e colegas. Como cientista, tinha o rigor científico e o aprofundamento das questões como seu lema, pois segundo ela mesmo dizia ‘estudamos para entender os fenômenos e não somente para publicar’”, destaca o professor Nilberto Robson.

Segundo Nilberto, a professora Lucília ensinou sobretudo a superar desafios e que eles são oportunidade de crescimento. “Ela brilhou em todos os lugares que passou. FAVET-UECE, Farmacologia-UFC, Fisiologia USP, Fisiologia-YALE, sendo sempre destaque, respeitada e querida por seus pares, além de premiada internacionalmente”, ressalta Nilberto.

“Lucília criou uma escola de Fisiologia Renal na UECE que se tornou referência Nacional, tendo recebido inclusive alunos de outras Universidades para serem treinados aqui na UECE. Alguns desses alunos hoje trabalham na UECE, UFC e IFCE, continuando a história e o legado desta gigante brasileira chamada Lucília Maria Abreu Lessa Leite Lima”, ressalta.

Sobre o V Simpósio em Fisiologia

O Simpósio trouxe à Uece pesquisadores renomados, nacional e internacionalmente, com destaque para o presidente da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (FESBe) e presidente da gestão anterior da Sociedade Brasileira de Fisiologia, Dr. Eduardo Colombari. Participaram, também, nove palestrantes que são bolsistas de produtividade do CNPq, sendo sete deles nível 1 (reservado a pesquisadores de maior projeção), entre eles, Everardo Magalhães Carneiro (Unicamp), Jamil Assreuy (UFSC), ex-presidente da Sociedade Brasileira de Farmacologia, Aldo Ângelo Moreira Lima (UFC), Armênio Aguiar dos Santos (UFC), José Henrique Leal Cardoso (Uece), Adriana Girardi (Instituto do Coração -USP), Gislei Frota Aragão (Uece), Luis Eduardo Quintas (UFRJ) e José Wilson Correa (UFAM). Por fim, o evento contou com a participação do palestrante internacional, Patrice Dubois, do Instituto de Formulação de Vacinas de Genebra, na Suíça.

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