FOMO – O medo de ficar de fora e a dependência do celular. Será assim pra sempre? Por Pádua Sampaio

Pádua Sampaio é publicitário, empresário, professor e colaborador do Focus.jor, no qual assina artigo às quintas-feiras.

Você está na mesa do bar com seus amigos e eles começam a falar sobre uma determinada série ou filme. Sabem as falas de cor, que fim levou cada personagemna vida real e como será a continuação da trama, prestes a sair. Você é o único ser eucarionte daquele recinto que nada viu sobre o assunto. Nunca viu o ator nem mais gordo, nem mais magro. Ao chegar em casa, devora tudo que encontra sobre a série e assim se sente melhor.

Segundo uma pesquisa da BBC, um em cada quatro entrevistados admitiu já ter mentido quando perguntado se tinha visto determinada série ou filme. São 25% faltando com a verdade sem um motivo plausível, só pra  ficarbem na fita. Em tempos de conectividade, ser visto como desinformado é uma mancha que nem o Vanish Oxi Action é capaz de remover. “É sério que você nunca viu ‘Daisy Jones and The Six?”

Se isso já aconteceu com você, calma, não é o fim do mundo. Esse fenômeno tem uma explicação: chama-se “FOMO” ou “fear of missing out”. Algo como “medo de ficar de fora”. No caso, “ficar de fora” dessa grande festa sem hora para acabar chamada internet.

Checar o Whatsapp a cada cinco minutos; gravar dezenas de stories por dia e fazer várias postagens; sentir que não está aproveitando a vida como os amigos da sua timeline; acompanhar com lupa tudo que acontece para emitir uma opinião (ouvi Capivara Filó?) são características do FOMO. O resultado em grande escala é uma sociedade mais hedonista, mais vaidosa e também mais ansiosa.

Mas será que vai ser sempre assim? Será que estamos fadados a viver com o celular na mão com 1% de bateria atrás loucamente de uma tomada? Felizmente, a resposta é não.

Quando pensamos em marketing e no caminho percorrido até aqui, percebemos uma clara evolução. No começo, o chamado Marketing 1.0, todos os olhares se voltavam para o produto. A filosofia, embora de tempos distintos, era a de que “você pode ter um carro de qualquer cor, desde que seja preto.”

Depois, passou-se a olhar com mais carinho para as preferências e os tipos de consumidor; em seguida, percebeu-se que apenas isso não era suficiente, e as marcas passaram a – como ainda fazem – abraçar causas e defender bandeiras. Não perca as contas, estamos na fase 3.0.

Somado a tudo isso, veio a avalanche digital e o inbound marketing. E-mails, pushes, posts, remarketing, landing pages, SEO, blogs, vídeos, apps. Um arsenal de ferramentas e serviços concentrados em um único aparelho: o celular. No Brasil, já há mais smartphones do que pessoas. São 242 milhões, segundo o IBGE.

Por fim, com os avanços da Internet das Coisas e da Inteligência Artificial, caminhamos para um processo de emancipação dos nossos polegares. Mas é uma libertação em nada parecida com o “Clube Ludita”, formado por adolescentes avessos à tecnologia nos EUA. A internet (leia-se tecnologia) estará mais presente do que nunca na vida das pessoas, porém descentralizada: na geladeira, repondo produtos que acabaram, nos robôs pela casa; por meio de sensores, no reconhecimento facial para realizar pagamentos (uma realidade já).

Tudo isso é para dizer que, assim como um dia migramos do msn para o Whatsapp; do Orkut para o Facebook, seguido de um movimento para o Instagram, e agora para o TikTok e afins, aos poucos a sua marca vai ganhando outros pontos de contato com o consumidor, além do telefone. Ainda bem, porque não tem bateria que chegue.

No futuro – arrisco – nossos netos dirão: “É sério, vô, que pra fazer um pagamento o senhor tinha que usar um… como era o nome mesmo… Ah, celular.” Talvez não seja pra já, mas vai acontecer. E é bom que a sua empresa tenha esse medo, ou melhor, esse fear of missing out.

Por isso, pergunte-se hoje: após tantos anos dedicados a conversar com meu público por meio de uma plataforma que, de repente, se torna desinteressante, o que farei com esse cemitério de seguidores?

Claro que não estamos falando de amanhã, mas do amanhã. As redes sociais, por exemplo, ainda têm muita lenha pra queimar. Até porque prendem a atenção de forma muito inteligente, pelo que o nosso querido C.S Lewis chama de “o grande pecado”.

Ou seja, a vaidade travestida de likes e seguidores, que dá aquele comichão pra ver quem curtiu a nossa foto segundos após a publicação. O que Al Pacino também chama de “meu pecado favorito” em Advogado do Diabo. Não, por favor. É sério que você nunca assistiu Advogado do Diabo?

Três perguntas para mexer com o seu juízo:

1) Considerando a evolução do marketing, em que fase a sua empresa atualmente se encontra?

2) Que outros pontos de contato digital a sua marca poderia desenvolver além dasredes sociais?

3) Qual seria o impacto hoje da perda de todos os seguidores do seu perfil nasredes sociais? (lembre-se: os seguidores são da plataforma e não seus)

Mais notícias

A união se faz à força? Por Ricardo Alcântara

Como convencer a Sarto de sua inviabilidade eleitoral, mesmo com percentuais de intenção de voto tão pálidos nas pesquisas, quando se sabe que, numa disputa apertada, excluir um prefeito da reta final de um segundo turno não é tarefa fácil?

Leia Mais »

A união se faz à força? Por Ricardo Alcântara

Como convencer a Sarto de sua inviabilidade eleitoral, mesmo com percentuais de intenção de voto tão pálidos nas pesquisas, quando se sabe que, numa disputa apertada, excluir um prefeito da reta final de um segundo turno não é tarefa fácil?

Leia Mais »