A importância da conscientização sobre a adenomiose. Por Evangelista Torquato

Evangelista Torquato, ginecologista com atuação em reprodução humana na Sollirium Health Group
Evangelista Torquato, ginecologista com atuação em reprodução humana na Sollirium Health Group. Foto: Divulgação

A adenomiose é uma doença pouco valorizada e de difícil diagnóstico. Apesar de ser descrita há mais de um século, a medicina ainda tem muitas perguntas sem resposta sobre ela. Era tida como uma doença do fim da vida reprodutiva das mulheres na faixa etária dos 35 e 50 anos e que têm mais riscos de desenvolvê-la após terem tido filhos.

No entanto, os tempos mudaram. As mulheres contemporâneas passaram a adiar a maternidade cada vez mais e a aumentar sua exposição ao estrogênio ao longo da vida. Os exames de imagem avançaram, e hoje é possível o diagnóstico mais precoce da doença, que também pode estar presente nas mulheres que nunca tiveram filhos. Descobriu-se o aumento do risco da adenomiose naquelas que menstruaram muito cedo (antes dos 11 anos), naquelas que têm ciclos com duração menor do que 25 dias e naquelas com sobrepreso/obesidade.

O cenário, portanto, pede um olhar mais atencioso para a adenomiose, pois aumenta sua prevalência e se acumulam os fatores de risco para a doença, caracterizada pela invasão do endométrio na parede muscular uterina. O endométrio é o tecido que reveste a parte interna do útero; quando ele é encontrado dentro da parede do útero, ou seja, infiltrado no miométrio, teremos a adenomiose, que pode ser focal ou difusa.
Os sintomas da adenomiose são parecidos com os da endometriose.

Isso dificulta o diagnóstico clínico. E realmente são doenças parecidas. O que muda é a localização dos focos endometriais. Costumo dizer que a adenomiose é a endometriose da parede do útero. Entre os sintomas, estão a dor no período menstrual, com sangramento intenso ou prolongado, e a dor durante a relação sexual. Também são frequentes o aumento no volume do útero e coágulos sanguíneos durante a menstruação.

Hoje vemos também uma associação da adenomiose com as falhas de implantação, tanto nas gestações naturais como nos tratamentos de reprodução assistida. Por isso, é preciso um preparo endometrial diferente para essa paciente a fim de otimizar as chances de gestação.
A adenomiose era frequentemente tratada com a histerectomia, ou seja, a retirada do útero. E o que fazer quando a doença aparece e rouba a qualidade de vida daquelas que nunca tiveram filhos e desejam tê-los? É preciso preservar a fertilidade dessa paciente e discutir com ela tratamentos hormonais que estabilizem ou resultem na regressão dos focos adenomióticos.

O desafio mais uma vez é escutar as pacientes, lutar pelo diagnóstico e tratamento precoce e pelo avanço das pesquisas que possam trazer mais informações sobre a adenomiose.

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