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O papel fundamental da energia para o desenvolvimento do Ceará. Por Adão Linhares

Adão Linhares, fundador e primeiro presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEOLICA. Sócio das empresas ARM Energia e Energo Soluções em Energias. Idealizador e sócio da empresa startup Delfos Intelligent Maintenance. Foto: Divulgação

A energia é a base de toda infraestrutura necessária para o desenvolvimento socioeconômico de qualquer região. No caso de um estado como o Ceará, que enfrenta desafios históricos de pobreza e desigualdade, garantir uma infraestrutura energética robusta não é apenas uma questão técnica, mas uma prioridade estratégica. Sem energia, nada pode funcionar adequadamente: desde os serviços essenciais até a implementação de novos projetos de crescimento.

O foco principal para o Ceará deve ser a oferta de infraestrutura energética que permita a expansão de outras infraestruturas, facilitando assim o crescimento econômico e social. Ao longo dos anos, o estado tem trabalhado incessantemente para reforçar e expandir sua rede elétrica. Esse esforço abrange desde grandes empreendimentos, como linhas de transmissão, até a distribuição local de energia.

Na distribuição, o Ceará atingiu a universalização da eletrificação em 2005. Contudo, esse avanço inicial tinha o objetivo limitado de fornecer energia básica. Hoje, a missão é atualizar essas redes de sistemas monofásicos para trifásicos, aumentando a capacidade e a qualidade do fornecimento.

Uma das maiores questões é como tirar a população cearense da linha da pobreza. Um exemplo promissor é a utilização da energia solar para empoderar economicamente as comunidades. O projeto “Renda do Sol” propõe que os cidadãos do interior instalem painéis solares em suas residências. Esses painéis não apenas atenderiam suas necessidades energéticas, mas também permitiriam a venda do excedente de energia para o governo do estado, gerando renda adicional.

O estado pode fornecer financiamento para a compra desses painéis solares, permitindo que os cidadãos gerem sua própria energia e produzam um excedente. Este excedente pode ser vendido, criando uma nova fonte de renda para muitas famílias. Esse projeto está alinhado com a necessidade urgente de resgatar a população cearense da pobreza energética e alimentar, oferecendo uma solução sustentável e duradoura.

Olhando para o futuro, o Ceará tem potencial para se tornar um líder na produção de energia renovável, tanto solar quanto eólica. A energia excedente precisa ser adequadamente armazenada e transportada. Atualmente, grande parte da energia gerada no Nordeste é enviada para o Sudeste, mas com o aumento da produção, poderíamos armazenar energia em formas como hidrogênio verde e transportá-la para outras regiões, como a Amazônia, ou até para o exterior, contribuindo para a descarbonização dos combustíveis fósseis.

Essa visão estruturante requer o fortalecimento e a expansão das linhas de transmissão de grande porte, especialmente para trazer ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém a energia necessária para transformar, através da eletrólise, essa energia em hidrogênio verde e outros produtos como a amônia, que pode ser utilizada no mercado local ou exportada para a Europa. O Ceará está em uma posição vantajosa para se tornar um vanguardista na produção de energia renovável, colocando-se nas melhores condições para suprir a demanda global por energia limpa e sustentável.

Em resumo, a energia é a chave para o desenvolvimento do Ceará. Com projetos inovadores e um enfoque na sustentabilidade e inclusão social, o estado pode não apenas crescer economicamente, mas também liderar o caminho para um futuro mais justo e sustentável.

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